sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Primeiro Bimestre

Situação de Aprendizagem 1

A REGINALIZAÇÃO DO ESPAÇO MUNDIAL

PROJETO

Diferenciar critérios de regionalização é um passo importante para a compreensão do es¬paço mundial. Por ser diferenciado em função da variedade de elementos da natureza (clima, relevo, solo, vegetação etc.) e das sociedades (produção de riquezas, culturas etc.), o espa¬ço geográfico pode ser dividido e classificado de diferentes modos em regiões ou grupos de países levando em conta as diferenças e seme¬lhanças das diversas áreas conforme um crité¬rio específico. Esta Situação de Aprendizagem apenas introduz uma primeira aproximação com o tema regionalização, para aprofundá-lo nas demais.
Conteúdos: o espaço mundial pode ser dividido e classificado com o uso de vários critérios, portanto, visto sob perspectivas diferentes. Interpretá-lo depende da escolha de caminhos e modelos de análise adequados e que possam servir de orientação de acordo com o propósito que pretendemos atingir. Daí resulta o toco nesta Situação de Aprendizagem no tema regionalização, na qual são propostas estratégias didáticas que permitam aos alunos compreender ao menos duas noções fundamentais:
a) Regionalizar um determinado espaço geográfico significa dividir ou agrupar suas partes e regiões de acordo com características comuns.
b) Qualquer regionalização é apenas parcialmente verdadeira, pois quem agrupa ou reúne suas partes o faz de acordo com um interesse especifico.
As formas como sào consideradas as diferentes escalas geográficas é problematizada recorrendo-se à leitura, interpretação e comparação de mapas distintos, demonstrando-se como as opções de regio¬nalização do espaço mundial não devem ser vistas como certas ou erradas, mas de acordo com a sua intencionalidade, pois atendem a interesses específicos, assim como quanto à sua parcialidade, já que são produzidas para atender a determinados fins.
Competências e habilidades: estabelecer a diferenciação entre critérios de regionalização; desenvolver habilidades de leitura e produção de textos contínuos (narrativas, textos expositivos e descritivos) e des¬contínuos (leitura e interpretação de mapas); ler e interpretar mapas para extrair informações que lhes permitam identificar singularidades e distinções acerca da regionalização do espaço mundial; identificar dados, representações e informações encontradas em cartas e mapas para comparar as diferentes pers¬pectivas de compreensão do espaço mundial, geralmente complementares.

CONTEÚDO


1-    Regionalização do Espaço mundial
1-  Regionalização do Espaço mundial
A regionalização é a divisão de um grande espaço, com critérios previamente estabelecidos, em áreas menores que passam a ser chamadas de regiões. Cada região se diferencia das outras por apresentar particularidades próprias. Qualquer espaço é pode ser regionalizado, isto é subdividido. Um país,  outra região, um estado, até mesmo as cidades são divididas em regiões. Pode ser região administrativa, natural etc.

As formas e os critérios de representação mais utilizados para a divisão do mundo são:

1- Regionalização do Espaço mundial

A regionalização é a divisão de um grande espaço, com critérios previamente estabelecidos, em áreas menores que passam a ser chamadas de regiões. Cada região se diferencia das outras por apresentar particularidades próprias. Qualquer espaço é pode ser regionalizado, isto é subdividido. Um país, outra região, um estado, até mesmo as cidades são divididas em regiões. Pode ser região administrativa, natural etc.

As formas e os critérios de representação mais utilizados para a divisão do mundo são:

1 - Os aspectos físicos ou naturais:

Continente - É uma grande massa de terra contínua cercada pelas águas oceânicas.

Os seis continentes do globo terrestre são: África, América, Antártida, Ásia, Europa, Oceania.

A África ou continente africano - É dividida em: África branca – ao norte do deserto do Saara e é formada na sua maioria por povos brancos como os egípcios. África negra – Fica abaixo do deserto do Saara (subsaariana) e é formada por na maioria, negros. É a parte mais pobre do continente.

A América ou continente americano – Também conhecida como Novo Mundo, é dividida fisicamente em:

América do Norte, América Central e América do Sul, onde se localiza o Brasil.

A América do Sul por sua vez se sub-divide em:

- Continental – é a parte mais estreita do continente americano que liga a América do Norte à América do Sul;

- insular – formada por várias ilhas como Cuba, Haiti, etc.

Europa ou Continente Europeu – Também conhecido como Velho Mundo é de onde partiram os navegadores que descobriram e colonizaram o restante dos continentes e onde se encontram países muito ricos e desenvolvidos como a Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Espanha e muitos outros.

Ásia ou continente asiático – É o maior dos continentes e onde se localiza países imensos como a China e Índia, além de países bastante desenvolvidos como o Japão.

Como a Europa está unida à Ásia, juntas elas formam um imenso continente denominado Eurásia ou continente eurasiano.

Oceania ou continente australiano – Também conhecida como Novíssimo Mundo, é formado pela Austrália que corresponde à maior parte do continente e pela Nova Zelândia e várias outras ilhas que ficam separadas pelo oceano Pacífico.

A Antártida ou continente antártico – formada por várias ilhas unidas e cobertas por uma grossa camada de gelo, é um continente onde não existem países e nem pessoas vivendo de forma permanente devido o frio extremo encontrado ali o ano todo. Apenas expedições científicas vão para lá por curtos períodos de tempo para estudar o clima, animais e peixes ali existentes.

Faixas climáticas ou zonas térmicas

Existem no mundo diversos tipos de clima que são determinados por muitos fatores, um deles está ligado diretamente à localização geográfica no globo terrestre, como o planeta Terra tem forma esférica, ele recebe luz solar de maneira distinta e é isso que produz as faixas climáticas, que são:
Zona Glacial Ártica - Faixas climáticas de altas latitudes -  localizada ao norte do Círculo Polar Ártico; é caracterizada pelo frio.
Zona Temperada do Norte - Faixas climáticas de médias latitudes -  situada entre o Círculo Polar Ártico e o Trópico de Câncer, apresenta temperaturas amenas e as quatro estações do ano bem definidas.
Zona Intertropical - Faixas climáticas de baixa latitude -  abrange a área entre os Trópicos de Câncer e o de Capricórnio -  Essa região do globo é “cortada” pela linha do Equador, sendo marcada pelas temperaturas elevadas.
Zona Temperada do Sul - Faixas climáticas de médias latitudes -  está localizada entre o Trópico de Capricórnio e o Círculo Polar Antártico. As temperaturas são agradáveis.
Zona Glacial Antártica - Faixas climáticas de altas latitudes  -  compreende as regiões ao sul do Círculo Polar Ártico. As temperaturas estão entre as mais baixas do planeta.

Placas tectônicas

É provada a existência de uma litosfera constituída por placas tectônicas separadas e distintas, que flutuam sobre o magma pastoso existente no interior da Terra.
Tectônica de placas (do grego τεκτονικός relativo à construção) é uma teoria da geologia, desenvolvida para explicar o fenômeno da deriva continental, sendo a teoria atualmente com maior aceitação entre os cientistas que trabalham nesta área. Na teoria da tectônica de placas a parte mais exterior da Terra está composta de duas camadas: a litosfera, que inclui a crosta e a zona solidificada na parte mais externa do manto. Numa escala temporal de milhões de anos, o manto parece comportar-se como um líquido super-aquecido e extremamente viscoso, mas em resposta a forças repentinas, como os terremotos, comporta-se como um sólido rígido.
A teoria da tectônica de placas surgiu a partir da observação de dois fenômenos geológicos distintos: a deriva continental, identificada no início do século XX e a expansão dos fundos oceânicos, detectada pela primeira vez na década de 1960. A teoria propriamente dita foi desenvolvida no final dos anos 60 e desde então tem sido universalmente aceite pelos cientistas, tendo revolucionado as Ciências da Terra (comparável no seu alcance com o desenvolvimento da tabela periódica na Química, a descoberta do código genético na Biologia ou à mecânica quântica na Física).
A divisão do interior da Terra em litosfera e astenosfera baseia-se nas suas diferenças mecânicas. A litosfera é mais fria e rígida, enquanto que a astenosfera é mais quente e mecanicamente mais fraca. Esta divisão não deve ser confundida com a subdivisão química da Terra, do interior para a superfície, em: núcleo, manto e crosta.
O princípio chave da tectônica de placas é a existência de uma litosfera constituída por placas tectônicas separadas e distintas, que flutuam sobre a astenosfera. A relativa fluidez da astenosfera permite que as placas tectônicas se movimentem em diferentes direções.
Abaixo listam-se as principais placas tectônicas, existindo ainda várias numerosas placas menores.
Placa Africana
Placa da Antártida
Placa Euroasiática
Placa Norte-americana
Placa Sul-americana
Placa do Pacífico
Placa Australiana
As placas contatam umas com as outras ao longo dos limites de placa, estando estes comumente associados a eventos geológicos como terremotos e a criação de elementos topográficos como cadeias montanhosas, vulcões e fossas oceânicas. A maioria dos vulcões ativos do mundo situa-se ao longo dos limites de placas, sendo a zona do Círculo de Fogo do Pacífico a mais conhecida e ativa. Estes limites são apresentados em detalhe mais adiante.As placas tectônicas podem incluir crosta continental ou crosta oceânica, sendo que, tipicamente, uma placa contém os dois tipos.

Formação geológica 

 Escudos cristalinos, bacias sedimentares e dobramentos modernos;
As rochas e os minerais não estão distribuídos de maneira uniforme pela superfície terrestre. Sua distribuição vai depender da ação das forças internas da Terra - o tectonismo -, no decorrer do tempo geológico.
Podemos chamar de estrutura geológica o conjunto de diferentes rochas de um lugar e os vários processos geológicos sofridos por elas e que dão aos terrenos desse lugar uma característica própria.
Temos três tipos básicos de estrutura geológi¬ca na crosta terrestre: escudos cristalinos, faixas orogênicas e bacias sedimentares.
Escudos cristalinos - São rochas magmáticas e metamórficas muito antigas, das eras Pré-Cambriana e Paleozóica. Sofreram forte processo erosivo, apresentando se desgastadas e com baixas altitudes. Quando estão expostas à ação de agentes erosivos, são chamadas escudos. Quando estão recobertas por terrenos sedimentares, são denominadas embasamentos cristalinos.
Bacias sedimentares - Com o passar das eras, os escudos cristalinos foram atacados por processos erosivos. Os sedimentos assim produzidos e transportados pelo vento acumularam-se em depressões existentes na superfície dos escudos (bacias).
Preenchidas pelos sedimentos que formaram rochas sedimentares, essas áreas são chamadas bacias sedimentares. Os combustíveis fósseis - carvão e petróleo -são encontrados nesse tipo de estrutura geológica.
Dobramentos antigos - A crosta terrestre sofreu, ao longo da história da Terra, movimentos produzidos por forças internas, que deram origem a cadeias de montanhas hoje bastante desgastadas pela erosão.
Dobramentos modernos. Ocorreram na Era Terciária e deram origem às mais altas cadeias de montanhas da Terra: Himalaia, Alpes, Pireneus, Andes e Rochosas.
Grandes Biomas - São grandes conjuntos de classificação da paisagem, que procuram sintetizar os mecanismos fundamentais de sua formação.

Biomas

Um bioma inclui todas as plantas e animais adaptados a um clima comum. As características ecológicas da vegetação do bioma dependem das variações sazonais de temperatura e precipitação, ou seja, as variações de acordo com as estações do ano. Por isso, esses sistemas de vida são - quando considerados biomas terrestres - grandes formações vegetais, em que os animais mostram-se condicionados pela estrutura física do sistema vegetal. Assim, animais arbóreos precisam de árvores, como ruminantes necessitam de ervas. Nesse sentido, bioma é uma comunidade em que os seres vivos oferecem soluções para problemas comuns e, portanto, estão ambientalmente ligados.
A variedade de vegetação acontece em função das diferenças de altitude, latitude, pressão atmosférica, iluminação e atuação das massas de ar.
Florestas equatoriais– Ocorrem nas baixas latitudes, compreendendo a Amazônia, parte centro-ocidental da África e sudeste asiático. Como estão em áreas quentes e úmidas, possuem folhas largas (latifoliadas) e sempre verdes (perenes). As árvores podem ter até 60 m (castanheira). Apresentam grande variedade de espécies (floresta heterogênea). Os solos em geral são pobres. São conhecidas como autofágicas (que se alimentam de si mesmas) em função da grande quantidade de húmus proveniente das folhas, galhos e troncos.
Florestas tropicais – Em comparação às florestas equatoriais, as tropicais possuem menor diversidade de espécies vegetais, árvores de menor porte e, claro, espécies diferentes. As florestas tropicais localizam-se na faixa intertropical litorânea.
Savanas ou cerrados – Aparecem na faixa intertropical em locais onde ocorre uma estação seca (inverno), impedindo o aparecimento de florestas. Têm plantas rasteiras (herbáceas), intercaladas por árvores de pequeno porte. No período de seca, as folhas caem para evitar a evaporação. No Brasil são chamadas de cerrado e na África, de savana.
Campos ou pradarias – Ocorrem nas áreas de clima temperado continental: norte dos EUA, sul do Canadá, centro-sul da Rússia, norte da China, norte da Argentina e Uruguai. A umidade é pouca para o nascimento de árvores. Por isso, formam-se gramíneas (tapete herbáceo). Recebem o nome de pampa na Argentina, de pradarias nos EUA e no Canadá e de estepe na Rússia.
Desertos – Nas áreas desérticas, como no Saara, Kalaari, Arábia, Irã, Austrália, México, Estados Unidos (na Califórnia), Peru e Chile (deserto de Atacama) não há vegetação permanente. Em alguns locais, surge uma “erva rasteira” após as chuvas. Nas regiões onde aflora o lençol freático (lençol subterrâneo de água) podem surgir oásis, com palmeiras (tamareiras).
Florestas temperadas – Encontram-se nas latitudes médias (40º a 55º) típicas do hemisfério Norte, no Canadá, nos Estados Unidos e no norte da Europa. As espécies são decíduas (perdem as folhas para enfrentar uma estação seca e fria) de grande porte. Nos solos mais ácidos aparece a lande, uma vegetação herbácea com algumas árvores.
Florestas de coníferas – Estão nas regiões de clima subpolar como o norte do Canadá, da Europa e Rússia (onde recebe o nome de taiga). Possuem pequena variedade de espécies e quase todas são de pequeno porte em função do vento. Apresentam folhas em forma de agulha (aciculifoliadas) para não acumular neve.
Tundra – Predomina no extremo norte do hemisfério Norte. Os solos são gelados e, nos poucos meses de degelo, aparecem em alguns pontos musgos e liquens: a tundra.

Formas de regionalizar criadas pela sociedade:

A sociedade criou algumas formas de regionalizar ou delimitar  o espaço físico para melhor  exercer seu domínio sobre ela. Para isso alguns conceitos foram formados como: território, Estado, nação e país.
- Território: É o espaço físico. Na política, é o espaço nacional controlado pelo Estado - Nação.
Territorialidade: É a forma como os agentes (políticos, econômicos e sociais) moldam a organização do território. Ex: Blocos econômicos, organismos mundiais (FMI, BIRD).
- O Estado - Nação é essencialmente formado por três elementos: Território, povo, soberania.
O Estado é soberano no território delimitado pelas fronteiras, onde exerce seu poder a partir de uma cidade que abriga os órgãos governamentais, a capital.
Um Estado pode ter fronteiras internas: departamentos (França), províncias (Argentina), estados (Brasil)
- O conceito de nação envolve a existência de um povo organizado sob as leis do Estado.
A palavra território refere-se a uma área delimitada sob a posse de um animal, de uma pessoa (ou grupo de pessoas), de uma organização ou de uma instituição. Há vários sentidos figurados para a palavra território, mas todos compartilham da idéia de posse de um lugar por um indivíduo ou uma coletividade.
No contexto político, o termo território refere-se à superfície terrestre de um Estado, seja ele soberano ou não. É definido como o espaço físico sobre o qual o Estado exerce seu poder soberano,  o território é uma das condições para a existência e o reconhecimento de um país (sendo os outros dois a nação e o Estado). Por isso, existem determinados casos de entidades soberanas que não são consideradas países, como Estados sem território (Autoridade Nacional Palestina e a Ordem Soberana dos Cavaleiros de Malta) ou nações sem território (os ciganos).
- Um país, de uma forma geral, é um território social, político, cultural e geograficamente delimitado. A maioria dos países é administrada por um governo que mantém a soberania sobre seu povo e seu território, garantindo assim o funcionamento e a ordem do fluxo de atividades que envolvem a sua economia e a sua sociedade.
Estado é uma instituição organizada politicamente, socialmente e juridicamente, ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente.
Nação, do latim natio, de natus (nascido), é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando, assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm.Um exemplo é a nação indígena.

2-Aspectos culturais (língua e religião)

Oriente - Oriente quer dizer o lado do sol nascente. No entanto, para além dessa acepção geográfica, a palavra oriente tem naturalmente uma conotação política e cultural - os ocidentais, ou seja, europeus e americanos consideram os asiáticos como orientais, mas já não consideram assim os australianos, nem mesmo os seus aborígenes.
O hemisfério oriental, hemisfério leste ou hemisfério este engloba todas as áreas da Terra situadas a leste da longitude 0°. Engloba a maior parte da Europa e da África, e toda a Ásia e a Oceania, assim como parte da Antártida. Inclui todo o Oceano Índico, uma pequena parte do Atlântico e cerca de metade do Pacífico.
Ocidente - A definição clássica para o "Mundo Ocidental" compreende os países da Europa (por oposição a Ásia, o "mundo oriental"), e os que têm suas raízes históricas e culturais ligadas à Europa. Nesta definição se incluem, além da própria Europa, também as Américas e a Oceania e, em parte, também a África do Sul.
A expressão Mundo Ocidental às vezes refere-se ao grupo de países que alcançaram a hegemonia desde a segunda parte do segundo milênio. Nesta definição estão incluídos a Europa Ocidental, os Estados Unidos e o Canadá.
Durante a Guerra Fria, a expressão "Mundo Ocidental" se referia de maneira muito genérica aos países capitalistas desenvolvidos. Esta definição inclui os Estados Unidos, o Canadá, a Europa Ocidental, a Austrália, a Nova Zelândia, e também o Japão e Israel.
Oriente médio - O Oriente Médio, da forma como vamos estudá-lo, ultrapassa as fronteiras do continente asiático. Podemos reconhecer alguns conjuntos regionais nessa área:
Egito. Localizado na África do Norte, sempre esteve ligado aos conflitos do Oriente Médio, por fazer parte do mundo árabe e possuir uma pequena faixa em terras asiáticas: a península do Sinai.
Península Arábica. Abriga países produtores de petróleo, entre os quais destaca-se a Arábia Saudita.
Os países da Mesopotâmia. Palavra de origem grega que significa entre rios, a Mesopotâmia é uma região localizada predominantemente entre os rios Tigre e Eufrates. Área de ocupação muito antiga, foi o berço de civilizações como a dos assírios, dos caldeus e dos babilônios. Consideraremos nessa região a Síria e o Iraque.
Turquia. Divide-se entre a Europa e a Ásia de Sudoeste, sendo a maior parte de seu território nesse continente. Na geopolítica atual, a Turquia está mais próxima da Europa.
Jordânia. País fechado para o mar, não possui petróleo e vive na dependência da geopolítica regional. Litoral do Mediterrâneo. Destacam-se Chipre, Líbano e Palestina. O Líbano é caracterizado por uma enorme variedade étnico-religiosa, o que já custou ao país uma guerra civil de vinte anos. Na região da Palestina, está o Estado de Israel, que disputa com os árabes a posse da região. Por fim, outros dois países são muito importantes para a geopolítica local:
O Irã. Antiga Pérsia e a primeira República Islâmica do mundo.
O Afeganistão, foi controlado até 2001 por um governo islâmico ultra-radical, a milícia Taleban.
Podemos considerar algumas características que dão um caráter próprio ao Oriente Médio:
- A riqueza do petróleo, que não contribui para a melhoria do padrão de vida da população.
- A predominância de climas áridos e semi-áridos, o que torna a acua um recurso muito disputado.
- Diversidade étnica, religiosa e cultural dos povos da região.
A existência de ódios seculares e inúmeros conflitos.
O fato de ser o berço das três mais importantes religiões monoteístas: judaísmo, islamismo e cristianismo.
Abordaremos dois assuntos que inquietam o Oriente Médio; a diversidade étnica e cultural e os conflitos entre árabes e judeus pela Palestina.
O Extremo Oriente - Chamado também de Ásia Oriental, está localizado a leste do continente asiático e abrange um território que ocupa uma área de cerca de 12 milhões de km2, onde vivem as populações de China (1,3 bilhão), Japão (127 milhões), Coréia do Sul (49 milhões), Coréia do Norte (23 milhões), Taiwan (23 milhões), Hong Kong (6 milhões), Mongólia ( 2 milhões) e Macau ( 450 mil).
Na Ásia Oriental se encontram dois dos poucos países remanescentes do sistema socialista: China e Coréia do Norte, lembrando que a economia chinesa já modificou bastante sua configuração e vem se distanciando cada vez mais dos princípios do socialismo e se aproximando dos princípios capitalistas.
No Extremo Oriente encontra-se o país com a maior população do mundo, China, com aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes, número significativo visto que a população mundial absoluta é cerca de 6,7 bilhões.
Todas essas formas de regionalizar o mundo são importantes, mas o maior interesse na regionalização são aqueles relacionados a economia; isto porque atualmente todos os países e regiões depende um dos outros, por mais rico ou miserável que sejam, não produzindo tudo que precisam, nem consumindo tudo que produz.

3 - Os aspectos socioeconômicos 

Estão ligados á renda, industrialização, tecnologia, analfabetismo, regime político (capitalismo ou socialismo)
Esta proposta de regionalização considera três critérios principais:
-Nível de desenvolvimento social: é o item mais importante. Agrupa os países segundo seus indicadores sociais básicos: mortalidade infantil, escolaridade, esperança de vida, nutrição etc. Para tal é utilizado com base o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) divulgado anualmente pela ONU.
-Nível de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico: também bastante importante, diferencia os países segundo o grau de desenvolvimento industrial e tecnológico, tamanho do PNB (Produto Nacional Bruto), rendimento per capita e distribuição de renda, entre outros fatores.
-Nível de desenvolvimento político interno e importância geopolítica: aqui são considerados o grau de democratização e de participação política e a importância dos países no cenário mundial. Desta forma, os países foram divididos em dois grupos também são hierarquizados.
Países desenvolvidos - Possuem um grau razoável de desenvolvimento socioeconômico e político. São economias industrializadas, sediam a maioria das empresas multinacionais e detêm um elevado padrão tecnológico e cientifico. Não raro apresentam um setor agropecuário dinâmico. Não apresentam grandes desigualdades sociais internas. Parte significativa de suas populações possui bons  salários, amplo acesso aos serviços básicos de educação e saúde, além de apresentarem pequeno crescimento demográfico e alta expectativa de vida. Predominam neste grupo de países regimes políticos relativamente estáveis e democráticos. Como a grande maioria desses países  se localizam no hemisfério (meia esfera) norte da Terra, eles são também denominados “Países do Norte”.
Alguns deles por se destacaram mais na economia mundial passa a fazer parte de outra seleta divisão que é  a dos Países centrais ou dominantes (pólos) formada pelos três países mais desenvolvidos do mundo, com grande poder geopolítico e geoeconômico: Estados Unidos, Japão e Alemanha.
 Países subdesenvolvidos - São países que, de acordo com a Organização das Nações Unidas, apresentam os mais baixos indicadores de desenvolvimento socioeconômico e humano  do mundo. Um país é classificado como um país menos desenvolvido se tiver: Baixa renda, Fraqueza em recursos humanos (com base em indicadores de nutrição, saúde, educação e da alfabetização de adultos), vulnerabilidade econômica (com base na instabilidade da produção agrícola, a instabilidade das exportações de bens e serviços.  Por se localizarem na maioria abaixo da linha do equador ou  no hemisfério sul, são também denominados “Países do Sul”.
A principal causa dessa situação de pobreza  tem sua origem no passado histórico dessas nações que foram colonizadas para terem suas riquezas naturais e humanas exploradas pelos países colonizadores, não lhes deixando outra opção se não a de serem eternos fornecedores de matérias primas (cujo valor é pequeno) e consumidores de produtos tecnológicos e industrializados importados (cujo valor é elevado). Nesse tipo de negociação os países subdesenvolvidos são sempre os prejudicados, tendo com isso dificuldade de sair de sua situação de pobreza.
Vale lembrar que essas regionalizações são uma criação humana, empreendida por pesquisadores ou por pessoas que habitam o lugar. Mas há algumas dificuldades para regionalizar, já que o mundo não é homogêneo e sofre constantes transformações.
Indicadores sociais, como a taxa de mortalidade infantil, grau ou nível de industrialização,  IDH, taxa de analfabetismo, PNB. PIB  e outros, podemos dizer se determinado país é rico (desenvolvido ou do Norte) ou pobre (subdesenvolvido ou do Sul)

Blocos econômicos 

 Fazem parte de um tipo de acordo intergovernamental, muitas vezes parte de uma organização intergovernamental, onde barreiras ao comércio são reduzidas ou eliminadas entre os Estados participantes.
Vantagens - A redução ou eliminação das tarifas ou importação. Produtos mais baratos;
Desvantagens - Desemprego; Diminuição da produção de empresa nacionais.
Os principais blocos econômicos são:
Mercosul  ou Mercado Comum do Cone Sul - Criado em 1991 com o Tratado de Assunção, é o maior bloco econômico da América do Sul. Formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile e Venezuela.
União Européia – UE - A união entre os países se iniciou após a Segunda Guerra Mundial. Mas a criação foi efetivada em 1992 com o Tratado de Maastricht. Nele há uma moeda oficial, o euro. Hoje são cerca de 30 países que fazem parte do bloco.
Nafta - Com um tratado entre o Canadá, México e EUA em 1991 foi formado este bloco.
Apec - Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico - Originado em 1993 é composto por inúmeros países do Continente asiático, com a participação dos EUA. É o maior bloco econômico do mundo, e tem hoje 21 membros
Fontes:
wikipedia.org – acesso 18/02/2013
http://geografiwaldir.blogspot.com.br – acesso 18/02/2013
http://www.brasilescola.com/geografia/extremo-oriente.htm -acesso 10/03/2013
adaptado por: prof. Miguel Jeronymo Filho


Situação de aprendizagem 2

AS REGIÕES DA ONU

Conteúdos: esta Situação de Aprendizagem trabalha regionalizações do espaço mundial divulgadas largamente pela mídia, procedentes de critérios utilizados pelo Banco Mundial e pelo Programa das Nações o Desenvolvimento (PNUD). Trata-se, portanto, de sugerir estratégias para a compreensão das principais formas de divisão e agrupamento dos países do mundo com base na mensuração ou indicação do nível de desenvolvimento ou, em outras palavras, destinadas a retratar e analisar a difusão da pobreza. Isso é realizado via procedimentos didáticos complementares, definindo-se conceitos básicos (PIB, renda per capita e proporcionando a leitura e interpretação de gráficos, bem como a decodificação da relação significante/significado presente nos signos cartográficos dos mapas, além do estímulo à leitura associada e comparativa de mapas e gráficos.
Competências e habilidades: relacionar diferentes linguagens, como a cinematográfica e a cartográfica, para extrair informações e elaborar texto sobre a realidade mundial; compreender os principais critérios de regionalização do espaço mundial adotados pelo Banco Mundial e PNUD; diferenciar os conceitos de PNB per capita e PIR per capita, aplicando-os na leitura e interpretação de mapas; conceituar IDH por meio do entendimento dos critérios considerados para a elaboração desse índice; ler e interpre¬tar mapa e gráfico sobre o IDH dos países do mundo.
Estratégia: leitura e interpretação de mapas; aulas expositivas sobre os conceitos fundamentais, com auxílio dos mapas selecionados; leitura, interpretação e comparação entre diferentes registros (mapas e gráficos).
Recursos: mapas; gráficos; lousa; vídeo.
Avaliação: dos textos solicitados no final das etapas e participação geral nas discussões.

CONTEÚDO:

FMI Fundo Monetário Internacional.

Criado em 1944, o FMI tem como missão fundamental reduzir o desequilíbrio das balanças de pagamentos dos países-membros mediante a concessão de créditos procedentes de seus próprios recursos e a estabilização do câmbio. A adesão ao FMI implica a aceitação de uma carta monetária internacional que impõe aos estados-membros obrigações relativas à estabilidade e à conversibilidade monetária.

Banco Mundial.

O Banco Mundial foi criado em 1944, na conferência de Bretton Woods, da mesma forma que o FMI. Tem entre seus objetivos conceder créditos a países subdesenvolvidos para o financiamento de projetos e facilitar-lhes ajuda técnica. Integram o Banco Mundial ou Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD); a Corporação Financeira Internacional (CFI), criada em 1956 para complementar a ação do BIRD, especialmente na criação e expansão de empresas privadas; e a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), constituída em 1960 para a concessão de empréstimos em melhores condições que as oferecidas pelo BIRD.

Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT).

Conhecido universalmente pelas iniciais de sua denominação inglesa (General Agreement on Tariffs and Trade), o GATT foi criado em Genebra, em outubro de 1947. Seus objetivos fundamentais são o fomento dos acordos de redução tarifária, a supressão de barreiras aos intercâmbios comerciais e a eliminação de discriminações nesse campo. O GATT consolidou-se como organização que rege o comércio mundial.

Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento.

A United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) foi criada em 1964, para levar as reivindicações dos países subdesenvolvidos aos países industrializados.

Organização de Alimentação e Agricultura.

Conhecida também por sua sigla em inglês, a Food and Agriculture Organization (FAO) foi fundada em Québec, Canadá, em 1945, e tem sede em Roma. Seu objetivo principal é o incremento da produtividade mundial dos setores agrícola, florestal e pesqueiro.

Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Estabelecida em 1919, a OIT passou a fazer parte das Nações Unidas em 1946. Encontram-se entre seus objetivos a promoção do pleno emprego, a melhoria dos níveis de vida, o estabelecimento de políticas que incentivem uma divisão equitativa da renda, o reconhecimento do direito à negociação coletiva e, em geral, o trabalho em favor da justiça social.

Organização para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Fundada em 1946, a UNESCO tem por finalidade aprofundar a relação entre todos os povos do mundo por meio da educação, da ciência e da cultura. Tem sede em Paris e promove freqüentes campanhas de esclarecimento da opinião pública. Assumiu a defesa de muitos dos grandes temas do século XX, como a universalização das oportunidades educacionais, a democratização das artes, os direitos da mulher e de todas as minorias discriminadas.

Organização Mundial de Saúde (OMS).

A OMS foi criada em 1946 e tem sede em Genebra. Colabora com os organismos encarregados das questões sanitárias de todos os países, particularmente os subdesenvolvidos. Empenha-se em obras de socorro e assistência direta a comunidades atingidas por todo tipo de catástrofe natural, guerra civil, epidemias etc.
A estrutura geral de todos os organismos especializados é semelhante. Cada um deles tem uma conferência geral em que todos os membros estão representados. Essa conferência elege um conselho executivo, que se encarrega de propor iniciativas e de cumprir as decisões da conferência geral. Cada organismo tem uma secretaria permanente, com um diretor. Muitos organismos têm subcomissões regionais que operam em diferentes partes do mundo.

Direito internacional.

Em novembro de 1947, a Assembléia Geral estabeleceu a Comissão de Direito Internacional com vistas a codificar progressivamente as leis que regem as relações internacionais, inclusive questões pertinentes ao direito dos tratados e ao direito marítimo. Ocupa-se também de estudos sobre os procedimentos judiciais, sobre a jurisdição internacional no que concerne ao direito penal e sobre o conceito, a definição e as especificações da agressão entre os estados.
Indicadores econômicos e sociais
Variáveis quantitativas que permitem a comparação de aspectos sociais e econômicos de determinadas áreas, por exemplo, países ou estados. O indicador econômico reflete o estado de uma economia durante um determinado período. Como exemplo, podem ser citados o Produto Interno Bruto (PIB), a renda per capita e a inflação. Já o indicador social quantifica a qualidade de vida e o desenvolvimento social de uma população. Entre os mais conhecidos estão a mortalidade infantil, o analfabetismo e a taxa de desemprego.
Como se trata de uma média, um indicador sozinho não reflete a realidade de uma região. Por exemplo, se um país apresenta uma alta renda per capita, sua população não necessariamente vive bem, pois essa renda pode estar mal-distribuída. Somente a comparação de vários indicadores é que fornecerão um quadro mais próximo da realidade da área analisada.
O levantamento de dados estatísticos socioeconômicos é feito, em geral, por órgãos dos governos nacionais, estaduais ou municipais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil. Instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial e os vários órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) - como a Unesco, FAO e OMS - são as principais fontes de indicadores comparativos em nível mundial.
Expectativa de vida - Estimativa do tempo de vida que a criança, ao nascer, terá. Nos países mais desenvolvidos, os homens vivem em média, 71,2 anos e as mulheres, 78,6 anos. Nos menos desenvolvidos, as médias de idade caem para 62,4 e 65,3, respectivamente.
Exportações e importações - Valor monetário de todos os bens e serviços que um país vende ou compra do resto do mundo. Quanto maior o valor dessa participação, maior é a dependência do país em relação à economia internacional.
Fecundidade - Estimativa anual do número de filhos que cada mulher teria durante seu período reprodutivo. Considera os filhos nascidos vivos e as mulheres entre 15 e 49 anos. A média nos países mais desenvolvidos é de 1,71 filhos por mulher e, nos menos desenvolvidos, 3,29.
Força de trabalho - Total da população economicamente ativa, ou seja, as pessoas que geram riquezas para o país. Inclui, além dos trabalhadores, as Forças Armadas e os desempregados. Exclui os trabalhadores domésticos, os voluntários não-remunerados e os empregados no setor informal.
Índice de desenvolvimento humano (IDH) - Desenvolvimento da população de um país em três aspectos: vida longa e saudável, conhecimento e padrão de vida decente. Os indicadores que representam essas condições são: expectativa de vida, grau de escolaridade e renda per capita da população. O IDH é uma média simples desses três indicadores, variando em uma escala de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor é a qualidade de vida. Quanto mais próximo de 0, pior ela é.
Índice de Pobreza Humana (IPH) - Indica a privação da população de um país em três elementos essenciais: longevidade, conhecimento e padrão de vida adequado. O primeiro elemento é dado pela porcentagem de pessoas que não esperam sobreviver aos 40 anos, e o segundo, pela porcentagem de adultos analfabetos. O terceiro elemento é formado por três variáveis: o total de pessoas sem acesso à água potável, o número de adultos sem acesso aos serviços de saúde e o total de crianças com menos de cinco anos subnutridas. O IPH é dado a partir de uma média simples desses três elementos. Quanto maior a porcentagem obtida, maior a pobreza do país.
Mortalidade infantil - Número de crianças que morrem no primeiro ano de vida entre mil nascidas vivas em um determinado período. A média nos países mais desenvolvidos é de nove mortes por mil nascidos vivos e, nos menos desenvolvidos, 63.
Oferta diária de calorias -Mede o equivalente, em calorias, da oferta líquida de alimentos de um país, dividido pelo número de habitantes, por dia.
Paridade de poder de compra (PPP) -A quantidade de moeda do país que é necessária para comprar o mesmo que um dólar americano (moeda de referência) pode comprar nos Estados Unidos.
Participação no PIB - Indica o porcentual com que cada estado contribui para o PIB do Brasil.
PIB - Representa o produto interno bruto da economia de um país. É a soma do valor monetário final de bens e serviços produzidos dentro do país. Mede sua capacidade produtiva: quanto mais alto o PIB, mais rico ele é.

PNB

Compreende o PIB mais o rendimento líquido do exterior. Esses rendimentos são pagamentos que os residentes do país recebem do exterior, e que contribuem para a economia interna.
População com 1º grau -Porcentagem da população que completou ou está cursando o 1º grau (ensino básico).

PNUD

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (ou PNUD) é o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem por mandato promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo. Entre outras atividades, o PNUD produz relatórios e estudos sobre o desenvolvimento humano sustentável e as condições de vida das populações, bem como executa projetos que contribuam para melhorar essas condições de vida, nos 166 países onde possui representação. É conhecido por elaborar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), bem como por ser o organismo internacional que coordena o trabalho das demais agências, fundos e programas das Nações Unidas - conjuntamente conhecidas como Sistema ONU - nos países onde está presente.
Além disso, o PNUD dissemina as metas de desenvolvimento do milênio, conjunto de 8 objectivos, 18 metas e 48 indicadores para o desenvolvimento do mundo, a serem cumpridos até 2015, definidas pelos países membros da ONU em 2000, e monitora o progresso dos países rumo ao seu alcance.
AID - Associação Internacional de Desenvolvimento
Criada em 24 de setembro de 1960, a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) é o organismo do Banco Mundial que fornece empréstimos sem juros e subsídios aos países mais pobres. Suas intervenções visam a apoiar o crescimento econômico, reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida das populações.
Os empréstimos da AID são de longo prazo e sem juros. Servem para financiar programas que reforçam as políticas, as instituições, as infra-estruturas e o capital humano para que os países possam se desenvolver de maneira equitativa e ecologicamente sustentável. Os subsídios da AID são destinados aos países pobres vulneráveis ao endividamento excessivo ou com surtos de HIV/Aids ou atingidos por catástrofes naturais.
Quem pode ser beneficiado
Três fatores determinam a possibilidade de um país ser um receptor de recursos da AID:
A PNB per capita do país deve ser de menos de 965 dólares americanos por ano.
A falta de solvência do país, o que impede o país de adquirir empréstimos com as taxas praticadas pelo mercado, o que torna imprescindível a obtenção de recursos para financiar seu desenvolvimento.
Um bom desempenho em matéria de adoção de políticas, ou seja, a colocação em prática de obras políticas, econômicas e sociais que incentivem o crescimento econômico e reduzam a pobreza.
Os países que podem receber recursos da AID porque possuem baixo PNB per capita, tais como Indonésia e Índia, mas possuem crédito internacional para captarem empréstimos do mercado, são chamados de países com financiamento misto.
Situação de aprendizagem 3
O COFLITO NORTE E SUL
PROJETO:
Esta Situação de Aprendizagem resga¬ta e aprofunda o tema da regionalização do espaço mundial. Em particular propõe e dis¬cute a divisão entre países do "Norte" (ricos, desenvolvidos) e países do "Sul" (pobres, em desenvolvimento), buscàndo demonstrar seu significado político e econômico.
Conteúdos: conceito de regionalização; características da regionalização Norte e Sul; análise e diferen¬ciação dos conceitos de desenvolvimento e subdesenvolvimento; diferenças de desenvolvimento econô¬mico entre nações; estudos de caso representativos das relações entre graus diferenciados de desenvolvi¬mento econômico e emissão de gases de efeito estufa.
Competências e habilidades: ler e interpretar mapa sobre as emissões de CO2 no mundo; comparar mapas para formular hipóteses; ler e interpretar mapa sobre migrações internacionais; produzir textos sobre as migrações internacionais refletindo sobre a situação dos imigrantes na Europa.
Estratégias: leitura e interpretação de mapas; aulas expositivas; quadro conceitual; grupos de investiga¬ção; pesquisa e leitura de artigos de jornais; redação.
Recursos: mapa; gráficos; textos jornaJisticos; lousa.
Avaliação: participação individual nas discussões e em grupos de investigação; elaboração e entrega dos trabalhos solicitados.

CONTEÚDO

Emissão de CO2 no mundo cai; líderes discutirão pacto
A recessão deve causar a mais profunda queda nas emissões de gases do efeito estufa em 40 anos, segundo uma estimativa divulgada nesta segunda feira, enquanto líderes mundiais seguem rumo a Nova York para tentar romper o impasse sobre a formatação de um novo pacto climático global.
As emissões em todo o mundo de dióxido de carbono, principal gás resultante da ação humana causador do efeito estufa, vão cair cerca de 2,6% em 2009, como resultado da queda da atividade industrial em todo o mundo, informou nesta segunda-feira a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).
O mundo tem de aproveitar essa queda para conduzir uma luta global contra as mudanças climáticas em vez de permitir que as emissões cresçam novamente, como aconteceu em recessões anteriores, disse Fatih Birol, economista-chefe do IEA, em entrevista à Reuters.
"Esta queda nas emissões e em investimentos em combustíveis fósseis somente terá significado com um acordo em Copenhague, que envie um sinal para investidores na direção do baixo teor de carbono," disse ele, referindo-se à cúpula da ONU em dezembro na capita da Dinamarca.
As negociações estão estancadas na questão da divisão entre países ricos e pobres do quanto de emissões cada parte terá de reduzir até 2020 e, também, em como arrecadar talvez 100 bilhões de dólares por ano para ajudar as nações pobres a combaterem o aquecimento e se adaptarem às consequências das mudanças climáticas, como a elevação das marés e a desertificação.
Alguns especialistas expressaram dúvidas de que a recessão e a queda da produção industriam possam levar a um desenvolvimento mais sustentável.
As emissões de carbono dos EUA vão diminuir 6% este ano, informou a IEA duas semanas atrás, e as da Europa vão cair entre 4 e 5%, disse à Reuters o analista Mark Lewis, da Deutsche.
Em contrapartida, as emissões de carbono e a produção industrial estão crescendo nos países em desenvolvimento, especialmente no maior emissor mundial de carbono, a China, mas o total do planeta vai se reduzir de modo geral, de acordo com a IEA.

China e EUA

A China e os EUA, principais emissores, responsáveis por mais de 40 por cento do total mundial.
O presidente chinês, Hu Jintao, deve apresentar na cúpula planos para o enfrentamento do aquecimento global. A especulação é de que ele definirá metas para contenção da "intensidade do carbono" .
Migração E Xenofobia
No final do século XIX e começo do século XX, muitos imigrantes italianos vieram para o Brasil, também em busca de uma vida melhor. Essa situação mudou. Agora é a Itália que recebe imigrantes de outras partes do mundo.
Os movimentos populacionais da globalização mudaram de direção: realizam-se de países subdesenvolvidos para países desenvolvidos. A grande distância econômica que separa os dois grupos de países fez surgir esse novo tipo de migração internacional.
Além disso, os conflitos étnicos, religiosos e políticos da última década deslocaram compulsoriamente milhares de pessoas de sua pátria.
Podemos distinguir, entre os movimentos migratórios, duas categorias principais: as migrações por motivos econômicos e as migrações por motivos políticos, que compreendem os refugiados e os perseguidos políticos.

Migrações por motivos econômicos

Os Estados Unidos e os países da União Européia são os "paraísos" mais procurados pêlos imigrantes da globalização. Para a União Européia convergem populações da Europa oriental, do Norte da África e, principalmente, da Ásia, sendo a Turquia a maior fornecedora de imigrantes para a Europa ocidental.
Como esses países possuem severas leis que regulamentam a imigração, suas fronteiras são fortemente vigiadas e, muitas vezes, acontecem confrontos entre policiais e imigrantes ilegais. Duas importantes fronteiras geopolíticas destacam-se no mundo atual: a fronteira México - Estados Unidos e as cidades espanholas de Ceuta e Melilla, na costa do Marrocos.
A fronteira entre México e EUA é um constante foco de tensão entre os dois países, em virtude do grande número de pessoas procedentes de vários países latino-americanos que procuram entrar nos Estados Unidos clandestinamente.
Os Estados Unidos construíram uma cerca severamente monitorada por policiais na fronteira com o México. Os 3 200 km de fronteira sempre foram um foco de tensão entre os dois países. A Espanha já cogitou fazer algo semelhante em Ceuta.
O movimento de população já foi mais intenso entre os países da União Européia. Entretanto os benefícios concedidos a países membros de economia mais fraca têm ajudado a diminuir os movimentos no interior dessa comunidade.

Hispânicos Nos Eua

Em 1990, os Estados Unidos tinham 148.709.873 habitantes, dós quais 9% eram hispânicos. Hoje, o percentual é de 12,5%.
O aumento expressivo da população hispânica dos Estados Unidos, nos últimos anos, não significa essa contingente esteja integrado na sociedade americana. Uma prova disso é que não são considerados brancos no censo demográfico, Os "não-brancos" de origem hispânica, ou melhor, da América Latina, vivem segregados, formando "colônias", conforme as nacionalidades, nas maiores cidades do país. Mexicanos, cubanos, colombianos, porto-riquenhos e outros nativos de vários países da América Central são todos hispânicos para o censo americano.
Entretanto, cada um tem seu perfil definido pela polícia americana: os colombianos são acusados dê tráfico de drogas e quase todos os outros, juntamente com os negros, são tidos como suspeitos de crimes.
Problemas da imigração
Os imigrantes que conseguem entrar nos países mais ricos enfrentam inúmeros problemas. Geralmente em condições ilegais, fazem trabalhos que os habitantes locais não se dignam a fazer.
A imigração ilegal ocasiona outro grave problema: o tráfico de imigrantes. Esse é um negócio lucrativo e que está crescendo cada vez mais. A prática é comum em países da América Latina, inclusive no Brasil. No entanto é mais ativa no Leste europeu e no Norte da África, onde há um grande número de pessoas que pretendem ingressar na União Européia.
O imigrante enfrenta, ainda, a intolerância, o racismo e a discriminação.

A xenofobia e a intolerância

O ódio ao estrangeiro, ou xenofobia, e o racismo crescem rapidamente no mundo globalizado. A concorrência no mercado de trabalho tem sido a principal causa da discriminação de imigrantes nos países ricos. Mas não é a única.
Grupos extremistas unem a xenofobia à intolerância contra as minorias (negros e homossexuais) e praticam atos de extrema violência. É o caso dos skinheads, organização neonazista que age sobretudo na Alemanha.
Fuga de cérebros
Os países desenvolvidos disputam os melhores cientistas e pesquisadores para suas áreas de tecnologia de ponta. O Brasil, embora subdesenvolvido, conta :om bons profissionais e instituições para o desenvolvimento de novas tecnologias, na área da agricultura, da saúde, da informática, etc. Outros países, como índia, Argentina e Chile, estão na mesma situação.
Muitos desses profissionais são cobiçados por países ricos e tentados por ofertas compensadoras de salário. Outros buscam apenas um maior aperfeiçoamento para, mais tarde, retornar ao seu país de origem.
As baixas taxas de natalidade e as aposentadorias tornam os países da União Européia os maiores candidatos a precisar importar "cérebros", nos próximos anos. O Brasil conta com um conceituado número de cientistas e pode sofrer baixas em suas equipes de pesquisas.
Alguns países da União Européia (Alemanha, França e Reino Unido) têm adaptado suas legislações imigratórias, que ficam mais flexíveis para receber "cérebros" de países subdesenvolvidos, principalmente da índia, da Colômbia, da Argentina e do Brasil.

Migrações por motivos políticos e religiosos
Como vimos, além da procura por trabalho, conflitos étnicos e religiosos também são motivo de mudança de populações.

Refugiados

Atualmente, grande parte dos imigrantes pertence a um grupo especial: são os refugiados - pessoas que fogem de guerras ou de perseguições em sua pátria.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR, em português, e UNHCR, em inglês) define como refugiados "pessoas que saem de seu país de origem (podendo ou não regressar) porque correm o risco de ser mortas por perseguições religiosas, políticas e raciais". O Alto Comissariado foi criado em 1951 para tentar solucionar essa situação, que é uma das grandes tragédias da atualidade. O ACNUR calcula que, em cada 280 pessoas no mundo, uma seja refugiada.
O Alto Comissariado realiza as seguintes tarefas:
- Providencia asilo a refugiados que não querem voltar ao seu país de origem.
- Ajuda os refugiados que preferem retornar ao seu país, depois que a situação se acalma.
- Consegue recolocação para refugiados que não podem regressar ao seu país de origem.
- Presta auxílio a pessoas que sofrem perseguições em seu próprio país, mas não podem fugir (IDPs, sigla do inglês Internally Displaced Persons Instruments).

Os IDPs

São pessoas que sofrem perseguições dentro do seu próprio país, sem poder contar com a proteção do governo. São o grupo de imigrantes que mais cresce no mundo, Esses casos são comuns na Bósnia - Herzegovina, no Sri Lanka, no Azerbaijão, em Serra Leoa, na Rússia e no Afeganistão. Nesse país, o movimento de refugiados aumentou consideravelmente após os ataques dos Estados Unidos, em resposta ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York.

Movimento de populações nos continentes
África, Refugiados das guerras civis procuram áreas mais estáveis e menos pobres. Nigéria e Camarões têm sido muito procurados.
Ásia. Japão, Israel, países produtores de petróleo e tigres asiáticos são os que recebem mais imigrantes do continente. No exterior, os três destinos preferidos dos asiáticos são:
- Austrália (23,6%), Canadá (31,4%) e Estados Unidos (25,2%).
- Europa. O Eldorado do continente é a União Européia (Europa ocidental), que recebe imigrantes da Ásia, África, América e de outras partes da Europa. A Albânia, o país mais pobre do continente, já teve sérios problemas com a Itália por causa de imigração ilegal.
- América do Norte. Recebe, principalmente, imigrantes da América Latina e da Ásia.


Situaçãod e Aprendizagem 4

GLOBALIZAÇÃO E REGIONALIZAÇÃO ECONÔMICA

PROJETO

Esta etapa é dedicada a levar os alunos a organizar as informações que possuem sobre o tema globalização e regionalização. Assim, propomos estratégias visando a possibilitar um primeiro momento de aproximação com esse tema, cujo aprofundamento somente será oportuno nas demais Etapas desta Situação de Aprendizagem.

Conteúdos: conceitos de bipolarização e multi polarização; o mundo bipolar e multipolar; a cartografia da Guerra Fria; blocos econômicos mundiais; megablocos regionais (Nafta, União Europeia, Bacia do Pacífico e Apec), globalização e fragmentação, conflitos geopolíticos e étnico-culturais regionais.

Competências e habilidades: leitura, interpretação e produção de textos (narrativas, textos de pesquisa, textos técnicos) e descontínuos (mapas, fotos, filmes); leitura e análise de textos argumentativos dis¬tinguindo pontos de vista diferentes; extração de informações implícitas e/ou explícitas de textos de diversas naturezas; elaboração de mapas e quadros conceituais; comparação de dados representados em diversas linguagens
Estratégias: elaboração de quadro conceitual; consultas e leitura do material didático adotado; pesquisa e leitura de artigos de jornais, revistas e internet; grupos de investigação; exibição de filme e posterior comentários do professor e relatório; elaboração de trabalho escrito.
Recursos: material didático adotado; mapa; textos jornalísticos e didáticos; internet; vídeo; lousa.
Avaliação: participação individual nas discussões e exercícios propostos; aulas e grupos de investigação; entrega e leitura do artigo jornalístico solicitado; elaboração e entrega de quadro conceitual; relatório de vídeo.

CONTEÚDO
O COMERCIO MUNDIAL

Incomodado com o crescimento da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), o Canadá partiu para a retaliação e, em fevereiro de 2001, proibiu a importação da carne bovina brasileira, sob a alegação de que estava contaminada pelo mal da "vaca louca". Os veículos de comunicação no Brasil deram destaque ao assunto, que trouxe à discussão as regras do comércio internacional. Muitas dúvidas surgiram:
- Existe alguma entidade que regula as trocas comerciais entre os países?
- Como funcionam os blocos econômicos?
Na verdade, para responder a essas perguntas, é muito importante saber que as trocas comerciais são realizadas, simultaneamente, de duas maneiras no mercado mundial -sob a forma de relações multilaterais e através da regionalização criada pêlos blocos econômicos.

O comércio multilateral

Consideramos como comércio multilateral aquele que é realizado pêlos países fora de seus blocos econômicos. Vimos que, na época colonial, valia a lei do mais forte, em que o monopólio exercido pelas metrópoles penalizava as transações comerciais das colônias.
Somente após a Segunda Guerra Mundial, começaram as discussões para criar uma entidade que regulamentasse o comércio multilateral em escala mundial e, desse modo, fosse possível evitar favorecimentos e protecionismos.
A mesma reunião de Bretton Woods, que em 1944 criou o FMI e o Banco Mundial, havia previsto formar uma organização com essa finalidade - a Organização Internacional do Comércio (OIC). Após a criação da ONU, iniciaram-se os trabalhos para a redação da Carta da OIC, que duraram dois anos (1946-1947) e resultaram na Carta de Havana, documento que instituiria a Organização Internacional do Comércio. Entretanto, o documento não conseguiu unanimidade para ser ratificado pêlos 56 países reunidos em Cuba, em novembro de 1947.
Dessa forma, a única saída foi a aprovação de um acordo provisório, assinado por 23 países, entre eles o Brasil, que entrou em vigor em lº de janeiro de 1948. O Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT, sigla do inglês General Agreement of Tariffs and Trade), a princípio um "arranjo provisório", durou até 1995, quando se tornou a Organização Mundial do Comércio (OMC), após anos de várias reuniões denominadas rodadas, das quais a mais longa foi a Rodada Uruguai (1986-1993).
O GATT tinha caráter provisório e não incluía os países do bloco socialista, mas realizou alguns progressos em acordos multilaterais e na redução de tarifas alfandegárias. Estabeleceu a principal regra para o comércio mundial: o Princípio de Não Discriminação, que proíbe diferenças de tratamento entre os países membros ou protecionismos. Esse continua sendo o princípio básico da OMC.
A Rodada Uruguai começou em Punta dei Este, em 1986, e terminou no Marrocos, em 1993, com a Declaração de Marrakech, assinada por 114 dos 125 países participantes. Com essa Declaração, estava criada a Organização Mundial do Comércio, em l de janeiro de 1995, com sede em Genebra, Suíça. Desde a Conferência Ministerial realizada em Catar, de 9 a 13 de novembro de 2001, a OMC é constituída por 143 países membros e 31 observadores. A República Popular da China e Taiwan foram os dois última membros admitidos na organização.

GATT e OMC

Na realidade, existem algumas diferenças básicas entre o GATT e a OMC. O primeiro era só um "acordo provisório", embora tenha durado quase cinquenta anos. Como era provisório, suas regras de conduta para o comércio mundial não tinham bases muito sólidas. Qualquer país podia vetar a decisão tomada pelo painel do GATT, em qualquer disputa comercial. Hoje, quem viola as regras da OMC deve retroceder, sob pena de sofrer sanções comerciais. A OMC tem países membros (é uma organização); o GATT tinha "partes contratadas" (era um acordo).
Quando esse acordo foi criado, o comércio mundial era dominado por bens e produtos (agrícolas, minerais, industriais). Porém, com o passar do tempo, a economia mundial ficou muito mais complexa. O comércio mundial de serviços (transportes, turismo, bancos, seguros, telecomunicações) ou de idéias (consultoria, livros, patentes), classificados como propriedades intelectuais, tornou-se extremamente importante.
Foi exatamente nesses setores que a OMC ampliou o GATT, que foi extinto como órgão, mas teve preservados os seus acordos para o comércio de bens e produtos, fazendo parte dos tratados da OMC.
Complementando sua atuação, a OMC regulamentou o comércio de serviços em uma série de acordos denominados GATS (General Agreement on Trade in Services). Os direitos às propriedades intelectuais foram disciplinados nos TRIPS (Agreement on Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights).
Dessa forma, a OMC reuniu três acordos em uma organização com um só sistema de regras e de resolução de disputas comerciais entre os países.
Enfim, a OMC tem síaítis permanente, é uma organização internacional (como o FMI e o BIRD), e suas resoluções têm base legal porque seus membros concordaram em seguir as regras estabelecidas. Não é apenas uma extensão do GATT, mas uma instituição com um forte poder mundial, da qual fazem parte os acordos do GATT.

Princípios da OMC

Os princípios básicos do GATT, em relação aos produtos, foram aplicados e ampliados pela OMC para todo o comércio multilateral.
Podemos resumir as principais regras da organização em alguns pontos básicos:
- Não discriminação dos países membros: não deve haver uma nação mais favorecida que outras.
- Reciprocidade: mercadorias importadas e nacionais devem ter condições igualitárias, pelo menos quando as importadas já estiverem dentro dopais.
- Acesso aos mercados em igualdade de condições; redução de obstáculos ao comércio internacional.
- Concorrência leal: a OMC não é uma instituição de livre-comércio, mas "um sistema de normas consagradas, fundamentadas em uma concorrência livre, leal e sem distorções".

TRIMS

A OMC também se preocupa com o capital especulativo e a ação das transnacionais no mundo. Por isso, foram estabelecidos acordos para as medidas relacionadas com investimentos e ligadas ao comércio CTRIMS, sigla do inglês Agreement on Trade Related Investment Measures

Assim caminha a OMC

Marcada para 1999, em Seattle (EUA), a esperada Rodada do Milênio da OMC, que definiria os rumos da organização no novo século, não teve sucesso. Desentendimentos entre países ricos e pobres, bem como manifestações de ambientalistas, sindicatos e ONGs contrárias à globalização, impediram a sua realização.
Durante a quarta Conferência Interministerial da OMC, realizada em Doha, Qatar, além do ingresso da China e de Taiwan na organização, foram decididos assuntos importantes, como:
- a quebra das patentes para a produção de remédios genéricos para países pobres que enfrentam epidemias;
- o acordo entre Estados Unidos e União Européia em rever subsídios e medidas protecionistas praticados por ambos, em vários setores;
- o compromisso dos países em desenvolvimento de abrir mercados para a atividade bancária e para o setor de seguros, além de condicionar preocupações ambientais a discussões comerciais.
No fim do encontro, os participantes decidiram que as negociações sobre os temas da Rodada da OMC, iniciada em Doha, seriam retomadas no fim de janeiro de 2002.

OMC ou regionalização?
Uma das características da globalização, como já vimos, é a formação dos blocos econômicos regionais. seriam eles rivais da OMC?

Na verdade, são processos de comércio diferentes. Porém, se por um lado a formação de blocos favorece o livre-comércio, como a OMC, por outro, ameaça o princípio da Nação mais Favorecida (NMF), porque há regalias para os países membros (o artigo 24 do GATT abre exceção para participantes dos blocos).
Apesar disso, a organização pretende que a criação de blocos seja um aliado para um comércio cada vez mais aberto, uma vez que o comércio regional deve complementar e não ameaçar o funcionamento multinacional das atividades comerciais.

O mundo em blocos

Desde que os países europeus ocidentais optaram pela integração econômica para enfrentar a concorrência dos Estados Unidos, no mundo pós-guerra, a fórmula tem sido seguida em outros continentes, porém com o mesmo objetivo: ficar mais fortes no cenário internacional.
A atual União Européia tem um alto grau de integração, mas nem todos os blocos que se formaram adotaram as mesmas medidas. Podemos considerar diferentes graus de integração entre as diversas associações;
Zona de livre-comércio. Nesse tipo de bloco, a intenção é apenas criar uma área de livre circulação de mercadorias e capitais: Ex.: Nafta -Acordo de Livre-Comércio da América do Norte.
União aduaneira. Além da zona de livre circulação de mercadorias e capitais, na união aduaneira é usada uma tarifa externa comum (TEC) em relação a países que não pertencem ao bloco. Ex.: Mercosul.
Mercado comum. Além de apresentar as mesmas características das associações anteriores, o mercado comum compreende a livre circulação de pessoas e a padronização das legislações econômica, trabalhista, fiscal e ambiental. Ex.: União Européia até dezembro de 1998.
União política e econômica. Atual estágio da União Européia, após a adoção da moeda única, o Euro.
Os maiores blocos econômicos da globalização são: União Européia, Nafta, Mercosul e Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico).

Um Bloco Diferente

Com a evolução da atual fase do capitalismo e o surgimento de novos pólos de poder econômico, podemos considerar um bloco no qual os países não assinaram acordos formais para a sua constituição.
Houve, sim, uma forte influência de um país, o Japão, que reuniu, ao seu redor, uma série de países que têm suas economias ligadas ao crescimento japonês. É a bacia do Pacífico ou bloco do Pacífico, considerada uma área de integração por investimentos.

Entenda O "Blocones"

Para compreender melhor como funcionam os blocos econômicos, veja o significado de algumas expressões usadas para defini-los.
-Tarifa : É o Imposto cobrado para a entrada de mercadorias em um país.
- TEC - Tarifa Externa Comum: É uma tarifa comum, cobrada por um grupo de países que, na qualidade de sócios, exigem o mesmo imposto à entrada de mercadorias provenientes de países que não fazem parte do bloco.
- Dumping: É a venda em um mercado estrangeiro de um produto a preço "abaixo de seu valor justo", geralmente menor do que o preço cobrado pelo produto dentro dopais exportador, ou quando é vendido para outros países. De modo gerai, o dumping é reconhecido como uma prática injusta de comércio, passível de prejudicar os fabricantes de produtos similares no país importador.
- Subsídios: São benefícios econômicos que um governo concede aos produtores de bens, muitas vezes para fortalecer sua posição competitiva. O subsidio pode ser direto (subvenção em dinheiro) ou indireto (crédito à exportação com juros baixos, por exemplo).

Pesquisa e produção:

Professor Miguel Jeronymo Filho

Edição
2010